Pense na diferença entre
memorizar a data de aniversário de alguns amigos versus aprender a andar de
bicicleta.
As diversas coisas que aprendemos e lembramos não são processadas sempre pelo mesmo mecanismo neural.
Existem diferentes categorias
de memórias, entre elas estão:
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A memória ultra-rápida cuja retenção não dura mais que alguns segundos.
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A memória de curto prazo (ou curta duração), que dura minutos ou horas e serve para proporcionar a continuidade do nosso sentido do presente.
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A memória de longo prazo (ou de longa duração), que estabelece engramas (ou traços duradouros (dura dias, semanas ou mesmo anos).
Você acaba de ouvir o telefone
ditado por alguém, mas em poucos segundos é incapaz de se lembrar de parte
ou de todos aqueles números. Por que ?
Esta memória é temporária e limitada em sua capacidade, sendo armazenada por um tempo muito curto no cérebro, da ordem de milisegundos a poucos minutos. É a memória de curta duração.
Para que ela se torne
permanente, ela requer atenção, repetições e idéias associativas. Mas,
através de um mecanismo ainda não conhecido, você pode se lembrar subtamente
de um fato esquecido, como aquele número de telefone que havia esquecido.
Neste caso, a informação
foi armazenada na memória de longa duração que
é mais permanente e tem uma capacidade muito mais ampla.
O processo de armazenar
novas informações na memória de longa duração é chamado de
consolidação.
A memória para datas (ou fatos
históricos e outros eventos) é mais fácil de se formar, mas ela é facilmente
esquecida, enquanto que a memória para aprendizagem de habilidades tende a
requerer repetição e prática.
Uma elaboração do conceito da memória de curta
duração que tem sido feita nos últimos anos é a memória operacional
(veja abaixo), um termo mais genérico para o
armazenamento da informação temporária.
Muitos especialistas consideram memória de
curta duração e memória operacional como a mesma coisa.
Entretanto, uma característica chave que distingue uma da outra é, não somente o seu aspecto operacional, como também as múltiplas regiões no cérebro onde o armazenamento temporário ocorre.
Isto implica que nós podemos não ser
conscientes de todas as informações armazenadas ao mesmo tempo na memória
operacional, nas diferentes partes do cérebro. Tomemos o exemplo de dirigir
um carro. Esta é uma tarefa complexa que requer diversos tipos de
informações processados simultaneamente, tais como a informação sensorial,
cognitiva e motora.
Parece improvável que estes vários tipos de
informação sejam armazenados em um único sistema de memória de curta duração.
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Nossa habilidade de lembrar eventos não se
reflete na operação de um único sistema de memória, mas em uma combinação de
no mínimo duas estratégias usadas pelo cérebro para adquirir informação. Uma
das estratégias é denominada de memória explicita, ou memória declarativa,
requerendo participação consciente e envolvendo o hipocampo e o lobo
temporal. a outra estratégia é a memória implícita, a qual não requer
participação consciente, utilizando estruturas não corticais. Vejamos o
significado de cada uma delas:

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Memória operacional - é crucial tanto no momento da aquisição como no momento da evocação de toda e qualquer memória, declarativa ou não. Através dela armazenamos temporariamente informações que serão úteis apenas para o raciocínio imediato e a resolução de problemas, ou para a elaboração de comportamentos, podendo ser esquecidas logo a seguir. Em outras palavras, ela mantém a informação viva durante poucos segundos ou minutos, enquanto ela está sendo percebida ou processada. Armazenamos em nossa memória operacional, por exemplo, o local onde estacionamos o automóvel, uma informação que será necessária até o momento de chegarmos até o carro. Esta forma de memória é sustentada pela atividade elétrica de neurônios do córtex pré-frontal (a área do lobo frontal anterior ao cortex motor). Esses neurônios interagem com outros, através do cortex entorrinal, inclusive do hipocampo, durante a percepção, aquisição ou evocação.
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Memória declarativa (ou explícita) é a memória para fatos e eventos, por exemplo, lembrança de datas, fatos históricos, números de telefone, etc. Reúne tudo o que podemos evocar por meio de palavras (daí o termo declarativa). Sub-caracterizada em:
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episódica- quando envolve eventos datados, isto é relacionados ao tempo. Usamos a memória episódica, por exemplo, quando lembramos do ataque terrorista em 11 de setembro.
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semântica- Abrange a memória do significado das palavras (do latin "significado").
É a co-participação partilhada do significado de uma palavra que possibilita às pessoas manterem conversas com significado. A memória semântica ocorre quando envolve conceitos atemporais. Usamos este tipo de memória ao aprender que Einstein criou a teoria da relatividade, ou que a capital da Itália é Roma.
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Memória não-declarativa (ou implícita) - Se difere da explícita (declarativa) porque não precisa ser verbalizada (declarada). É a memória para procedimentos e habilidades, por exemplo, a habilidade para dirigir, jogar bola, dar um nó no cordão do sapato e da gravata, etc. Pode ser de quatro sub-tipos:
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memória adquirida e evocada por meio de "dicas" (Priming) (ou memória de representação perceptual) - que corresponde à imagem de um evento, preliminar à compreensão do que ele significa. Um objeto, por exemplo, pode ser retido nesse tipo de memória implícita antes que saibamos o que é, para que serve, etc. Considera-se que a memória pode ser evocada por meio de "dicas" (fragmentos de uma imagem, a primeira palavra de uma poesia, certos gestos, odores ou sons).
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memória de procedimentos - refere-se às habilidades e hábitos. Conhecemos os movimentos necessários para dar um nó em uma garvata, nadar, dirigir um carro, sem que seja preciso descrevê-lo verbalmente.
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memória associativa e memória não-associativa - Estas duas últimas estão estreitamente relacionadas a algum tipo de resposta ou comportamento. Empregamos a memória associativa, por exemplo, quando começamos a salivar pelo simples fato de olhar para um alimento apetitoso, por termos, em algum momento de nossa vida associado seu aspecto ou cheiro à alimentação. Por outro lado, usamos a memória não associativa quando, sem nos darmos conta, aprendemos que um estímulo repetitivo, por exemplo, o latido de um cãozinho, não traz riscos, o que nos faz relaxar e ignorá-lo.
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O hipocampo e o cortex temporal
parecem estar envolvidos na formação da memória declarativa, mas não na
memória de procedimentos. Enquanto que certos núcleos do cerebelo e medula
espinhal parecem ser necessários para a formação de memórias de procedimento,
mas não intervêm na memória declarativa. Devido a esta organização anatômica,
assume-se que a memória declarativa é controlada por mecanismos cerebrais
superiores, enquanto que a memória de procedimentos parece depender de
sistemas e regiões inferiores.
Os Mecanismos Cerebrais da Memória
A memória não está
localizada em uma estrutura isolada no cérebro; ela é um fenômeno biológico
e psicológico envolvendo uma aliança de sistemas cerebrais que funcionam
juntos.
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O lobo temporal é uma região no cérebro que apresenta um significativo envolvimento com a memória. Ele está localizado abaixo do osso temporal (acima das orelhas), assim chamado porque os cabelos nesta região frequentemente são os primeiros a ser tornarem brancos com o tempo. Existem consideráveis evidências apontando esta região como sendo particularmente importante para armazenar eventos passados. |
O lobo temporal
contém o neocórtex temporal,
que pode ser a região potencialmente envolvida com a memória a longo prazo.
Nesta região também
existe um grupo de estruturas interconectadas entre si que parece exercer a
função da memória para fatos e eventos (memória declarativa), entre elas
está o hipocampo, as estruturas corticais
circundando-o e as vias que conectam estas estruturas com outras partes do
cérebro.
O hipocampo ajuda a
selecionar onde os aspectos importantes para fatos e eventos serão
armazenados e está envolvido também com o reconhecimento de novidades e com
as relações espaciais, tais como o reconhecimento de uma rota rodoviária.
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A amígdala, por sua vez, é uma espécie de "aeroporto" do cérebro. Ela se comunica com com o tálamo e com todos os sistemas sensoriais do córtex, através de suas extensas conexões. Os estímulos sensoriais vindos do meio externo como som, cheiro, sabor, visualização e sensação de objetos, são traduzidos em sinais elétricos, e ativam um circuito na amígdala que está relacionado à memória, o qual depende de conexões entre a amígdala e o tálamo. Conexões entre amígdala e hipotálamo, onde as respostas emocionais provavelmente se originam, permitem que as emoções influenciem a aprendizagem, porque elas ativam outras conexões da amígdala para as vias sensoriais, por exemplo, o sistema visual. |
O Córtex pré-frontal
exibe também um papel importante na resolução de
problemas e planejamento do comportamento. Uma razão para se acreditar que o
córtex pré-frontal esteja envolvido com a memória, é que ele está
interconectado com o lobo temporal e o tálamo.
O crescimento do cérebro
O processo de memorização é complexo envolvendo
sofisticadas reações químicas e circuitos interligados de neurônios.
As células nervosas ou neurônios, quando são
ativadas liberam hormônios ou neurotransmissores que atingem outras células
nervosas através de ligações denominadas sinapses.
Os fatos antigos naturalmente têm mais tempo de
se fixar em nosso banco de dados e daí sua melhor fixação, o que não ocorre
com fatos recentes, que têm pouco tempo para se fixarem e ainda podem ter
sua capacidade de fixação alterada por razões relacionadas a variações de
estado emocional ou a problemas de ordem física.
Você sabia que toda vez que
você aprende alguma coisa ou adquire alguma experiência, as células do
seu cérebro sofrem uma alteração e essa alteração refletirá em seu
comportamento?
Por exemplo, se você já
passou por uma rua à noite e percebeu que ali haviam pessoas com
aparência estranha e perigosa, você evitará passar por aquela rua
novamente.
Ou, se uma criança levou um choque ao colocar o dedinho dentro de uma tomada elétrica, ela nunca mais emitirá aquele comportamento.
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Nestes exemplos,
o comportamento foi modificado em decorrência de uma experiência.
Cada célula cerebral (ou neurônio)contribui
para o comportamento e para a atividade mental, conduzindo ou
deixando de conduzir impulsos.
Todos os processos da memória são explicados em termos dessas descargas. |
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Neurônios recebem sinais nervosos de axônios de outros neurônios. A maioria dos sinais é liberada aos dendritos (1). Os sinais gerados por um neurônio são enviados através do corpo celular (2), que contém o núcleo (2a), o "armazém" de informações genéticas. Axônios (3) são as principais unidades condutoras do neurônio. O cone axonal (2b) é a região na qual os sinais das células são iniciados. Células de Schwann (6), as quais não são partes da célula nervosa, mas um dos tipos das células gliais, exercem a importante função de isolar neurônios por envolver seus processos membranosos ao redor do axônio formando a bainha de mielina (7), uma substância gordurosa que ajuda os axônios a transmitirem mensagens mais rapidamente do que as não mielinizadas. |
A mielina é quebrada em vários pontos pelos
nodos of Ranvier (4), de forma que em uma secção transversal o neurônio se
parece como um cordão de salsichas. Ramos do axônio de um neurônio (o
neurônio pré-sináptico) transmitem sinais a outro neurônio (o neurônio
pós-sináptico) em um local chamado sinapse (5). Os ramos de um único axônio
podem formar sinapses com até 1000 outros neurônios.
As alterações celulares
decorrentes da aprendizagem e memória são chamadas de plasticidade.
Elas se referem a uma alteração na eficiência das sinapses e podem aumentar a transmissão de impulsos nervosos, modulando assim o comportamento.
A experiência pode se dar por uma aprendizagem ativa ou pela convivência em lugares enriquecidos com indivíduos, cores, música, sons, livros, cheiros, etc.
Em laboratórios científicos
também foi possível demonstrar que ratinhos apresentam um número muito maior
de células cerebrais interconectadas umas com as outras quando eles vivem em
conjunto em uma gaiola cheia de brinquedos como rodinhas, bolas, etc., do
que os ratos que vivem em uma gaiola sozinhos e sem nada para fazer ou
aprender.
Alguns dos maiores estudiosos
do fenômeno da aprendizagem e memória na década de 40, Donald Hebb, de
Montreal , e Jersy Konorski, da Polônia, foram os primeiros a acreditar que
a memória deve envolver mudanças ou aumentos nos circuitos nervosos.
Circuitos nervosos são
conjuntos de neurônios que se comunicam entre si através de junções
denominadas de sinapses.

Quando uma célula é
ativada, é desencadeada a liberação de substâncias químicas nas sinapses,
chamadas neurotransmissores, tornando-as mais
efetivas. Pesquisas encontraram que neurônios "exercitados" possuem um
número maior de ramificações (dendritos) se
comunicando com dendritos de outros neurônios.
Assim, para que as memórias sejam criadas, é preciso que as células nervosas formem novas interconecções e novas moléculas de proteína.






